quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Língua - Uso da Crase:

Na Língua Portuguesa a crase indica à contração de A + A= À. A crase representa o uso de uma preposição mais artigo feminino ou anda uma preposição mais pronome demonstrativo. É importante lembrarmos que a crase não é um acento, mas sim uma contração de a+a, indicando a fusão de dois sons.

Ex.: O ministro chegou à embaixada.
(PREPOSIÇÃO + ARTIGO)

O ministro chegou a + a embaixada.
à


Utiliza-se crase quando é necessário o uso de uma preposição frente a uma palavra que aceite um artigo feminino designando gênero (feminino) e número.

Volta às aulas.





Nesse caso é necessária uma preposição, termo que faz ligação entre dois outros termos para que haja concordância na oração, pois não é certo escrevermos:

Volta aulas.

Escrita dessa forma perde-se a concordância da oração, quem volta, volta a algum lugar. Assim como o termo aulas aceita artigo na designação de gênero feminino.


A crase também muda o significado de uma oração, observe o exemplo:

Bateu à porta.

Nesse caso, indica-se que a porta recebeu umas pancadinhas, alguém deu murros na porta (a porta é adjunto adverbial de lugar e exige o uso de crase).

Bateu a porta.

Nesse caso, a porta é objeto direto do verbo bater. Significa que alguém fechou bruscamente a mesma.


Maneiras de certificarmos o uso:


Existem alguns artifícios a fim de verificarmos o uso ou não da crase. Podemos reescrever a oração trocando o termo feminino por um sinônimo masculino, se na troca o A virar AO há crase.

Ex.: Graças à ajuda dos marinheiros a baleia foi salva.


Graças ao auxílio dos marinheiros a baleia foi salva.






Assim podemos verificar que existe crase, pois na troca dos termos houve A por Ao.



Outro método é o uso do verso “ se vou a e volto dá crase há”.


Ex.: Vou à Bahia. / Volto da Bahia.

Fui a Porto Seguro. / volto de Porto Seguro.



Uso obrigatório da Crase:

Os seguintes casos apresentam obrigatoriedade quanto ao uso da crase:

Obs.: é importante a percepção que há exceções ente os casos, como tudo em nossa Língua.Essas serão também explicadas.

Artigo + Preposição:


Dediquei-me à leitura.

Resisti à oferta.

Houve um baile à fantasia.

Com a palavra Moda ou ao estilo de ocultas:

Mesmo frente a nomes masculinos utilizamos crase quando queremos representar essas expressões ( imitando, ao estilo ou moda de alguém ou alguma coisa).

Ex.: Falei à Romário./ Falei a Romário.

No primeiro caso a crase denota que houve uma imitação quanto ao estilo de Romário falar assim sendo necessário o uso de crase; no segundo caso denota uma conversa entre o sujeito e Romário, nesse caso sem o uso de crase.
Ele escreve à Machado de Assis.

Significa que alguém escreve ao estilo de Machado de Assis.

Ele escreve a Machado de Assis.

Assim, refere uma carta escrita a Machado de Assis.






Indicando Horário:

Utilizamos na indicação de hora, a não ser que seja precedido de uma preposição antes:

Ex.: A reunião será às 21 horas.

Ele chegou às 16 horas.


Após as 18 horas chegarei ao local .

Desde as 13 horas estou a esperar por você.

Obs.: A preposição ATÉ torna o uso de crase facultativo, assim sendo poderemos utilizar a crase com a preposição até antes de indicação de horário.

Ex.: Te espero até às 21 horas.


Antes do termo DISTÂNCIA quando está aparece determinada:


Ficou à distância de um metro do acontecido.


Ensino à distância ( especifica que EAD é pela distância de rede,Internet)


Estás a distância de meu coração (nesse caso não há crase,pois a distância é subjetiva).
Antes de palavra feminina em locuções:


Comprou à vista.

Entrou à direita da noiva.

Crescemos à medida que estudamos.

Fiquei à espera de sua ligação.


Palavra Terra:


Utilizamos crase frente a esse termo quando houver representação de Terra natal ou região.

Ex.: Os astronautas chegaram à Terra.




Os marinheiros chegaram a terra.

No caso dos marinheiros terra representa chão firme ou solo e não região, assim não se utiliza a crase.


O presidente voltou à terra natal.


Palavra Casa:


Frente ao termo casa há crase apenas quando existe um complemento sobre a casa.


Ex.: Fui à casa de minha tia.

Todos voltaram à casa de Marília depois da reunião.

Nos dois casos existe um complemento sobre a casa,porém, se não houver o complemento não se utiliza a crase.

Ex.: Fui a casa com meus amigos.

O complemento refere ao sujeito e não a casa.

Fui a casa.








Frente a pronomes: aquele, aquela, aquilo, quando for possível substituir por a esse,a essa, a isso:


Permaneci indiferente àquele barulho. (a esse)

Não me refiro àquilo.(a isso).




Crase Facultativa:

Existem casos facultativos na Língua Portuguesa, ou seja, podemos utilizar ou não a contração.


Frente a nomes femininos:

Entreguei a Joana o presente.

Entreguei à Joana o presente.


Antes dos pronomes possessivos minha, tua, sua, nossa, vossa:



Fale a sua irmã.

Fale à sua irmã.

Refiro-me a vossa senhoria.

Refiro-me à vossa senhoria.



Depois da preposição ATÉ:

Vamos até a praia.

Vamos até à praia.



Uso proibido da Crase:


Antes de nomes de santos:

Orei a nossa senhora.

Rezei a São Jorge.


Antes de nomes masculinos:

Andei a cavalo.

Vendeu a prazo.



Antes de verbo:

Fiquei a esperar dias seu telefonema.

Começou a dirigir cedo.


Com A no singular antes de palavra no plural:


Não me refiro a mulheres, mas sim a crianças.


Meio a palavras repetidas:

Cara a cara, frente a frente, face a face, lado a lado.

Um comentário:

Teresinha Oliveira disse...

graças à ajuda tem crase?
Ajuda não seria um verbo? Nesse caso haveria, então, uma exceção?