quarta-feira, 28 de março de 2012

Literatura - Modernismo - Parte I.

MODERNISMO:
Nas primeiras décadas do século XX o mundo passava por profundas modificações nos mais diversos setores: político, econômico, social e cultural. Foi à época da criação dos movimentos operários, as guerras e a revolução na indústria conviviam lado a lado, grandes invenções estavam à porta: cinema, automóvel, avião, etc.A Literatura, então, reinventa uma ruptura com o passado utilizando-se de irreverência e atuando de forma a trazer também nessa área as transformações e inovações decorrentes.

A Belle Époque


Em fins do século XIX os frutos da evolução já eram diretamente presentes na sociedade, o setor industrial crescia como louco com grandes invenções A Classe média vivia um sentimento de esperança, tudo era de tamanha euforia quanto às probabilidades futuras.
Era uma época em que os bares, a vida noturna, as atividades artísticas e culturais cresciam na Europa com grande velocidade e criatividade, recebendo com isso o nome de belle époque. Esse momento foi considerado uma época de paz, crescimento e beleza da França para com seus países vizinhos na Europa.


( cartaz de peça que narra a vida na belle époque)

Porém, de outro lado havia a classe operária, que lutava por condições melhores de vida, sendo esse o período da criação dos movimentos operários.

O Brasil na belle époque

O Brasil também foi afetado de maneira de suma importância nesse período, às transformações urbanas devido à vinda de imigrantes foi processo atuante. O processo socioeconômico crescia de um lado as manifestações rurais; de outro o crescimento e a urbanização das áreas centro-sul.

Correntes de Vanguarda

Juntamente com as transformações do início do século XX, vários processos artísticos foram criados e de suma importância para a expressão literária futura, são eles:

Futurismo
Surgiu por meio do Manifesto do Futurismo, publicado em Paris, em 1909, assinado pelo italiano Filippo Tommaso Marinetti. Nesse documento, o primeiro de uma série (foram publicados pelo menos vinte manifestos) – Marinetti propunha:
• O amor ao perigo, à verdade, à energia.
• A abominação do passado: arqueologia, academicismo, nostalgia, sentimentalismo.
• A exaltação da guerra, do militarismo, do patriotismo: “A guerra é a única higiene do mundo”.
• A substituição da psicologia do homem (destruindo o eu na literatura) pela obsessão da matéria.
• A incorporação de novos objetos como tema de poesia: locomotivas, automóveis, aviões, navios a vapor, fábricas, multidões de trabalhadores.
• “Exaltação da bofetada e do soco: Não há beleza senão na luta”.
Dos manifestos que seguiram que envolveram pintura, música, escultura, moral, mulher e arte mecânica, entre outros assuntos, o mais importante foi o Manifesto Técnico da Literatura Futurista, datado de março de 1912, publicado em Milão, onde são apresentados minuciosamente os pontos básicos de uma reforma radical:
• A destruição da sintaxe, com os substantivos dispostos ao acaso.
• O emprego do verbo no infinitivo, para que se adapte elasticamente ao substantivo e possa dar o sentido de continuidade e da intuição que nele se percebe.
• Abolição do adjetivo, para que o substantivo guarde sua “cor essencial”.
• Abolição do advérbio, “que dá à frase uma cansativa unidade de tom”.
• Supressão dos elementos de comparação: como, parecido com, assim como.
• Substituição dos sinais tradicionais de pontuação por signos matemáticos: X-:+=>< e pelos sinais musicais.
• Abolição de todos os clichês.

O propósito de fazer do Futurismo o estilo de arte que expressasse o progresso, a vida mecanizada, acabou fazendo desse movimento um meio de divulgação do fascismo de Mussolini. Futurismo e fascismo tinham em comum: o desprezo pela democracia e pelo socialismo, o antifeminismo, o caráter antiburguês.
A seguir, analise esse texto futurista e observe suas características: O trecho é de Álvaro Campos e chama-se: Ode Triunfal

Álvaro de Campos
(Heterônimo de Fernando Pessoa)

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu [sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos [modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical -
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força -
Canto, e canto o presente, e também o passado [e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
(...)
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!
(...)

Cubismo
O ponto de partida do Cubismo foi a pintura de Pablo Picasso. O quadro Les Demoiselles d’Avignon, de 1907 propunha uma nova forma de apreensão do real. Por meio de formas geometrizadas, deformadas, Picasso procura captar o objeto em simultaneidade, isto é, de vários ângulos ao mesmo tempo.
Na literatura podem ser apontados os seguintes elementos do estilo cubista:
• A obra de arte não deve ser uma representação objetiva da natureza, mas uma transformação dela, ao mesmo tempo objetiva e subjetiva.
• A procura da verdade deve centralizar-se na realidade pensada, criada, e não na realidade aparente.
• A ordem cronológica deve ser eliminada. As sensações e recordações vão e vêm do presente ao passado, embaralhando o tempo.
• A valorização do humor, a fim de afugentar a monotonia da vida nas modernas sociedades industrializadas.
• A supressão da lógica; preferência pelo pensamento-associação, que transita entre o consciente e o subconsciente.
A técnica dos cubistas é a da representação da realidade por meio de estruturas geométricas, desmontando os objetos para que, remontados pelo espectador, deixassem transparecer uma estrutura superior, essencial. Os cubistas afirmam que as coisas nunca aparecem como elas são, mas deformadas em todos os sentidos.


Poema de Sete Faces
Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu
[coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Gauche: termo francês, quer dizer torto, desajeitado


Dadaísmo
Surgido em Zurique, na Suíça, com o primeiro manifesto do romeno Tristan Tzara, lido em 1916, o Dadaísmo foi a mais radical das correntes de vanguarda.
O movimento nasceu no Cabaret Voltaire, ponto de encontro de artistas vindos de várias partes da Europa e que procuravam proteção contra a Primeira Guerra Mundial na neutralidade política da Suíça. Entre esses artistas estavam: Hans Arp, Marcel Jancso e Hugo Ball.
Para os dadaístas, a guerra evidenciava a crise de uma civilização cujos valores morais e espirituais já não tinham mais razão de serem preservados. Por isso, afirmavam o desejo de independência, de desconfiança para com a sociedade em geral: “Não reconhecemos nenhuma teoria. Basta de academias cubistas e futuristas: laboratórios de ideias formais”.
Numa prova dessa liberdade total, o próprio Tristan Tzara explica como surgiu o nome do movimento:
“Encontrei o nome por casualidade, inserindo uma espátula num tomo fechado do Petit Laorousse e lendo imediatamente, ao abri-lo, a primeira linha que me chamou a atenção: Dada.
Meu propósito foi criar apenas uma palavra expressiva que através de sua magia fechasse todas as portas à compreensão e não fosse apenas mais um –ISMO”.
“Dada” significa cavalo de balanço em francês, “sim” em romeno, preocupação em conduzir o carrinho do bebê em alemão, uma forma de chamar a mãe em italiano, e, em certas regiões da África, o rabo da vaca sagrada. A partir dessa plurissignificação, a obra dadaísta passa a ser improvisação, desordem, dúvida, oposição a qualquer tipo de equilíbrio.
Faziam parte das propostas dadaístas:
• A denúncia das fraquezas por a Europa passava.
• A recusa dos valores racionalistas da burguesia.
• A desmistificação da arte: “a arte não é coisa séria”.
• A negação da lógica, da linguagem, da arte e da ciência.
• A abolição da memória, da arqueologia, dos profetas e do futuro.
No último manifesto do movimento (ao todo foram sete), Tzara dá uma receita para fazer um poema dadaísta:
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
Certos de que a arte não precisa ser compreensível, os dadaístas inventaram a técnica dos ready mande, que consiste em retirar um objeto do uso corrente de seu ambiente normal, para criar máquinas impossíveis de utilização. Marcel Duchamp, um dos mais geniais criadores do ready made, expôs, entre outras coisas, uma roda de bicicleta cravada num banco e um urinol. Pintou também, certa vez, uma Mona Lisa decorada com bigodes.
As exposições dadaístas visavam sobretudo provocar escândalo. A mais sensacional de todas foi realizada em Colônia, na Alemanha, em 1920.
Expostos numa cervejaria, os ready made aguardavam os visitantes, que recebiam um martelo ao entrarem no recinto, a fim de destruírem as obras de que não gostassem. Bebidas alcoólicas foram distribuídas em abundância. Em meio à confusão, uma jovem vestida de primeira comunhão recitava poemas pornográficos. A mostra foi fechada pela polícia, mas atingiu seu objetivo: escandalizou a burguesia.
Com o tempo, o Dadaísmo irradiou-se para outros centros, como Nova Iorque, Berlim, Colônia, Hannover e Paris. A partir da década de 1950, apareceram, sobretudo nos Estados Unidos, movimentos neodadaístas são chamados de “arte do lixo” e a pop-art, baseadas nas mesmas idéias de protesto e de antiarte.
Leia um texto dadaísta:

Parafins gatins alphaluz sexohnei la guerrapaz
Ourake palávora driz okê Cris expacial
Projeitinho imanso ciumortevida vidavid
Lambetelho frúturo orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel parais de felicidadania:
Outras palavras (Caetano Veloso)



Surrealismo
O Surrealismo foi o último dos movimentos de vanguarda. Surgiu em 1924, em Paris, quando André Breton lançou o Manifesto do Surrealismo.
O movimento nasceu de uma ruptura com o Dadaísmo. Enquanto os dadaístas insistiam na mera destruição, o niilismo e na autofagia, Breton e outros artistas como Louis Aragon e Salvador Dali achavam que a ação demolidora deveria somente uma das etapas do processo criativo. Queriam elaborar uma nova cultura, encontrar um caminho de acesso às zonas profundas do psiquismo no humano. Questionando a sociedade e a arte, eles se propunham destruí-la, para recriá-la a partir de técnicas renovadoras.
Os surrealistas procuravam fundir a imaginação, que dorme no inconsciente, com a razão. Juntar o maravilhoso do sonho, dos estados de alucinação e até de loucura do homem, com o maravilhoso e externo: a fantasia e a realidade unidas permitiram captar uma super-realidade.
Eram propostas dos surrealistas:
Abolição da lógica. Recusavam o racionalismo absoluto que permite apenas captar os fatos relacionados unicamente com a nossa experiência.
Valorização do inconsciente. Apoiados na pesquisas de Sigmund Freud, que identifica zonas (o subconsciente e o inconsciente) muito importantes para a ação do ser humano, procuram a inspiração nos sonhos.
Atribuição de um caráter lúdico à arte. A poesia deixa de ser em entendida como canto ou como meio de comunicação de vivências, para se tornar ação mágica, mito, meio de conhecimento:

• Automatização da escrita. O texto deve ter como preocupação maior captar o funcionamento real do pensamento. Os pensamentos devem ser exprimidos caoticamente, tal como nos ocorrem, sem preocupação com o ordenamento lógico.
• Presença do humor negro. Com o propósito de fugir aos lugares-comuns, os surrealistas juntam muitas vezes uma palavra logicamente adequada a uma outra absurda, produzindo imagens insólitas, como: anjo torto, cadáver agradável, morte feliz, etc.


Leia um texto surrealista:
As realidade
(fábula)
Era uma vez uma realidade
com suas ovelhas de lã real
a filha do rei passou por ali
E as ovelhas baliam que linda que está
a re a re a realidade.
Na noite era uma vez
uma realidade que sofria de insônia
Então chegava a madrinha fada
e realmente levava-a pela mão
a re a re a realidade.
No trono havia uma vez
um velho rei que se aborrecia
e pela noite perdia o seu manto
e por rainha puseram-lhe ao lado
a re a re a realidade.
CAUDA: dade dade a reali
dade dade a realidade
A real a real
idade idade dá a reali
ali
a re a realidade
era uma vez a REALIDADE.
(Louis Aragon)

No Brasil, o precursor do modernismo foi a semana de
arte moderna.
...continua...

sábado, 24 de março de 2012

Literatura - A Importância da Literatura.








Literatura e Contexto Histórico:







O estudo da Literatura é uma arte. E, como tal, deve ser apreciada, analisada, entendida, sentida e assimilada, não decorada.





A Literatura está presente em todos os momentos da história. A cada movimento literário que surge uma nova visão do mundo e da sociedade está nele exposto. Então, devemos levar para a vida todo contexto literário que pudermos, assim estaremos evoluindo como indivíduo e como tal participando e atuando de forma direta na sociedade em que vivemos.





Os livros são escritos trazendo a história de um país, seus costumes e práticas sociais. Através deles podemos viajar pelos continentes e costumes mais diversos, perceber o momento vivido por determinada sociedade. Por exemplo, ao lermos Jorge Amado, Machado de Assis, ao viajarmos através dos poemas de Castro Alves e Augusto dos Anjos, estaremos entrando em períodos históricos vividos no Brasil passado. Assim, podemos perceber que os livros não apenas relatam histórias, mas retratam épocas e acontecimentos sociais, políticos, religiosos e culturais de uma nação. Quando entramos nas páginas de um livro estamos colhendo e vivenciando uma época.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Literatura - Semana da Arte Moderna ( 1922 ):



Semana da Arte Moderna ( 1922 ):



A semana da arte moderna é um dos eventos de maior importância já realizados em nosso país, pois, através dela muitas mudanças ocorreram na área da literatura, música, pintura, e artes em geral.


A semana da arte moderna ocorreu no mês de Fevereiro, entre os dias 13 a 18 do ano de 1922, no teatro Municipal de São Paulo, com a participação de artistas do Rio de Janeiro e São Paulo. Não se sabe ao certo quem deu origem a ideia da realização de uma mostra de artes modernas em São Paulo, mas se tem referências de que Oswald de Andrade, já em 1920 havia prometido para 1922, ano do centenário da independência, uma verdadeira exposição da nova maneira visionária da arte moderna.


Até a realização da “semana” o Brasil era um país fechado no conservadorismo em relação aos aspectos da vanguarda modernista europeia, após a semana podemos dizer que o Brasil se globalizou junto aos países do velho continente nas artes. Não é exagero dizer que graças à abertura proporcionada pela semana da arte moderna que hoje em dia ouvimos música de fora, vestimos as tendências europeias e de outros países, obtemos as atuais tendências culinárias, artísticas e tecnológicas em nosso país. Os mais céticos podem afirmar que hoje em dia devido à abertura existente no mundo é óbvio que estaríamos desse modo, concordo, mas isso teria vindo muitos anos depois, com certeza, pois a semana da arte moderna viabilizou uma abertura não existente antes no Brasil.


O evento funcionou da seguinte maneira: durante uma semana o saguão do teatro Municipal foi aberto ao público para que esse pudesse apreciar obras ligadas à arte moderna, ou seja, fora dos conceitos artísticos e literários expressados até então. Eram expostas obras de Anita Mafaltti, Di Cavalcanti, Antonio Moya, Vicente do rego Monteiro, nas noites eram realizados saraus, onde liam-se poemas de escritores como Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho e eram executas músicas de Villa-Lobos e Ernani Braga.


Como era de se esperar a reação do público a toda essa inovação foi estranha: em momentos se ouviam relinchos, latidos, gritos; em outros momentos o público respondia com aplausos. Mas, a motivação da realização da semana da arte moderna era essa mesma, os artistas queriam “chocar”, provocar, mostrar a nova forma de arte, e conseguiram, pois é considerado o maior marco das artes já realizado no Brasil em toda sua história.


A arte moderna apresentava a característica da livre forma de expressão, ou seja, o artista deveria ter a liberdade da criação e a autonomia para isso em sua arte, fosse um quadro, um poema, uma música ou uma história literária. Os pré-modernistas desejavam uma arte puramente brasileira, onde fossem mostrados aspectos culturais e folclóricos do Brasil, assim tornando-a uma criação brasileira que seria propriamente chamada de arte brasileira. Assim Villa-Lobos incorporou novos compassos diversificando o andamento de suas músicas misturados a sons da natureza brasileira, ouvir a composição “O Guarani” que formava uma música erudita, mas brasileira, com sons do Brasil meio a sinfonia, devido a sua genialidade Villa-Lobos é considerado o último grande compositor clássico de todos os tempos, comparado a mestres como Bach, Mozart e Beethoven.


Alguns dos idealizadores da semana da arte moderna foram: Manuel Bandeira, Villa-Lobos, Anita Mafaltti, Oswald de Andrade, Graça Aranha, Di Cavalcanti e Mário de Andrade.





A importância da Semana da Arte Moderna:


Na época os jornais pouca importância deram ao evento, assim como o público, que fora de São Paulo ficou distante de qualquer notícia dos acontecimentos culturais da mostra de arte. No entanto, ao longo dos anos a semana da arte moderna foi ganhando valor devido aos resultados com a inovação da arte pelos modernistas e cada vez mais adquirindo valor histórico.


O evento provocou a ruptura dos padrões tradicionais artísticos da época, causou o abandono de princípios e das técnicas até então formalizadas na literatura ou arte em geral.


Podemos notar, então, que o valor cultural da mostra foi de valor enorme, fazendo com que a literatura e a arte obtivessem um padrão de autonomia junto ao seu criador, sem formas restritas ou que tornasse arte algo igual, sem alma. O modernismo, ou melhor, a transição, chamada pré-modernismo trouxe alma à arte. Os reflexos vindos da semana da arte moderna estão até hoje ligados diretamente ao que acontece em termos de arte em nosso país.

domingo, 18 de março de 2012

Literatura - Curiosidades sobre escritores consagrados:

Pesquisando por aí encontrei algumas curiosidades sobre escritores consagrados no Brasil e no mundo:


Machado de Assis, nosso grande escritor, ultrapassou tanto as barreiras sociais bem como físicas. Machado teve uma infância sofrida pela pobreza e ainda era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado foi acometido por uma de suas piores crises intestinais, com complicações para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a esposa, Carolina.



Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.



Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena, como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.



Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa, mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso.



Aluísio de Azevedo tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto escrevia.



José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato Sul-Americano, em 1953.



Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros. Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou. Tinha a mania de picotar papel e tecidos. "Se não fizer isso, saio matando gente pela rua". Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto. "Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado. Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha."



Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.



Érico Veríssimo era quase tão taciturno quanto o filho Luís Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação final.



Clarice Lispector era soitária e tinha crises de insônia. Ligava para os amigos e dizia coisas pertubadoras. Imprevisível, era comum ser convidada para jantar e ir embora antes de a comida ser servida.



Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico Fontoura. "Para ele, era licor", diverte-se Joyce, a neta do escritor. Também tinha mania de consertar tudo. "Mas para arrumar uma coisa, sempre quebrava outra."



Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história para impressionar os amigos.



Fernando Sabino foi escoteiro dos nove aos treze anos. Nadador do Minas Tênis Clube, ganhou o título de campeão mineiro em 1939, no estilo costas.



Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.



Mário de Andrade provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava em vão. O escritor era homossexual.



Vinicius de Moraes, casado com Lila Bosco, no início dos anos 50, morava num minúsculo apartamento em Copacabana. Não tinha geladeira. Para aguentar o calor, chupava uma bala de hortelã e, em seguida, bebia um copo de água para ter sensação refrescante na boca.



José Lins do Rego foi o primeiro a quebrar as regras na ABL, em 1955. Em vez de elogiar o antecessor, como de costume, disse que Ataulfo de Paiva não poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.



Rodaram o videoteipe para confirmar a validade de um lance contra o seu Fluminense. Foi unanimidade: pênalti claro. Nelson Rodrigues gritou: "Câmera em mim! Se o videoteipe diz que foi pênalti, pior para ele. O videoteipe é burro! E é só o que tenho a dizer."



Para agradar ao poeta, Chico Buarque "escalou" um jogador do Náutico na Seleção Brasileira, de brincadeirinha. João Cabral de Melo Neto agradeceu a homenagem, com uma ressalva: "Meu time é o América do Recife".



Castro Alves morreu com apenas 24 anos, nasceu em 1847 vindo a falecer em 1871.



J.K Roling (Escritora de Harry Potter) começou a escrever seu primeiro livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, em guardanapos em um bar que frequentava, e ao terminar o livro ficou com uma terrível dúvida: escolher se comprar leite para sua filha ou mandava seu livro pra editora, hoje elá é milionaria !

domingo, 11 de março de 2012

Língua - Perca e Perda, atenção!


É comum ouvirmos a palavra perca colocada no lugar de perda. Quem não ouviu alguém dizer: "A perca da lavoura foi significativa...ele não superou a perca da namorada, etc."

PERDA é um substantivo. Significa "ato de perder, sumiço, desaparecimento, extravio..."
É correto o uso com esses significados:

Ex.: A perda da namorada foi superada. A perda da lavoura foi significativa.

PERCA é uma forma do verbo "perder". Flexão da primeira ou terceira pessoa do singular do presente do subjuntivo e da terceira pessoa do singular do Imperativo (afirmativo ou negativo).

Ex.: Não perca a paciência!
Perca essa mania de falar em voz alta.

domingo, 4 de março de 2012

Língua - Quando demais é de mais.

A gramática dita que a locução adverbial "de mais" é o oposto de "de menos", assim, deve ser usada para exprimir quantidade excessiva, por exemplo:

Correr de mais pode ser prejudicial para a saúde.

De modo geral, demais, numa só palavra, funciona como advérbio de intensidade. Acentua o valor de verbo, adjetivo ou advérbio e significa "muito", "muitíssimo", "extremamente", "excessivamente", "em demasia".

Ex.: A seleção brasileira jogou bem demais e venceu com facilidade.

"Além disso"
"Demais" também pode ser pronome indefinido, quase sempre precedido de artigo, com o significado de os outros, os restantes, os mais.

"Foram impedidos poucos fichas sujas; os demais se deram bem."
Demais como adjetivo:
"Os demais candidatos recorreram ao STF e se deram bem."

"A mais"
"De mais", preposição e advérbio, geralmente expressa a noção de quantidade, com significado aproximado de a mais, como oposto de de menos, mas também pode expressar anormalidade, estranheza. Tem função adjetiva; acompanha substantivos ou palavras substantivadas:

"Meu time perdeu gols de mais."
"O texto está bem escrito; nem palavras de mais, nem estrutura de menos."

No entanto, há uma tendência crescente para escrever a locução de mais como uma só palavra, a tal ponto, que alguns dicionários, como o Priberam (da Texto Editores), já atestam que demais significa o mesmo que demasiado, assim como algumas gramáticas, como a Saber Falar, Saber Escrever (Dom Quixote), incluem demais nos advérbios de quantidade.
Mais uma vez, conclui-se que os falantes é que vão moldando a língua de acordo com a sua vontade.