quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Cortiço - Análise e características - não é um resumo.


O Cortiço

                                                  Aluísio Azevedo

Análise e características - não é um resumo.
Análise

            O Cortiço, escrito por Aluísio Azevedo, em 1890, é uma das principais obras do movimento naturalista - movimento que teve seu início em França, denunciando a miséria social, o preconceito, racismo, etc.  Considero a leitura desse livro deveras importante, pois ele retrata a história vivida em nosso país no final do século XIX. A obra traz uma metáfora do domínio português sobre o Brasil, no personagem de João Romão, português que domina o cortiço, mesmo sendo, nossa nação, independente desde 1822.

            O Cortiço traz o próprio Cortiço como personagem principal, ali tudo se desenvolve, o dia a dia, as brigas, a temática da difícil sobrevivência das classes mais baixas em o Brasil. João Romão é o dono do espaço, português que não mede esforços a fim de obter o seu maior desejo, ascender a uma classe social mais alta, a fim disso ele passa por cima de qualquer um, o personagem parece não ter um grau de humanidade.

            A obra foi um dos primeiros livros da literatura nacional a revelar a vida nas favelas do Rio de Janeiro (poderíamos chamar assim o Cortiço, hoje em dia.), alvo de polêmicas, o enredo revela as divergências entre a riqueza e a pobreza. Um fato relevante é a utilização do "Zoomorfismo", técnica de comparação dos personagens a animais nas situações que determinam o uso do instinto nas atitudes.

 

Características

 

            No decorrer da obra, Aluísio Azevedo tematiza em torno de seu estilo literário: temas como o adultério, os crimes, a miséria, os dilemas sociais, com base no cientificismo, são descritos meio as situações no desenvolvimento do enredo. A teoria Darwinista e o determinismo estão presentes no fator meio , influência, ser humano, pois o comportamento humano é influenciado por meio do ambiente, nesse caso o Cortiço. A forma como o autor descreve a vida proletária foi inovadora, já que as obras escritas até então não ocupavam as páginas priorizando essa temática.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Resenha - Dom Casmurro - Machado de Assis
Por Júlio Vallim
            Um fato a não ser esquecido - e um dos principais marcos do enredo - é a constatação de que Bento Santiago escreveu a obra a partir de suas conclusões, ou seja, em sua cabeça Capitu havia traído. Todo o desenrolar da história é contado segundo a visão do narrador, que utiliza sua formação jurídica a fim de enfileirar fatos que levem ao ponto de que sua história seja verossímil. Bentinho escreve a obra como um projeto de vingança, já que em outro momento não consegue essa intenção: quando pensa em tomar o café envenenado ou dar ao seu filho. Suas memórias servem como um elo de ligação entre a adolescência e sua velhice, por meio do texto o narrador une esses pontos que ficaram "recortados" em sua vida.
            Dom Casmurro (alcunha dada devido a sua reclusão, solidão, introspecção em sua velhice) tem a certeza de que Capitu teria o traído com Escobar, seu amigo de adolescência. O velório do amigo   - que morre afogado - o leva a confirmação disso, segundo sua cabeça, Capitu tem um modo "desesperado" de lidar com a morte de Escobar, a atitude da esposa é a de uma amante e não de uma amiga. Os olhos de ressaca da mulher o  levam a essa conclusão: funcionam como o mar, puxando a tudo para a sua volta.
            O enredo discorda da tese determinista, na qual o ser é fruto do meio em que vive, pois a personagem é descrita desde o início da obra de maneira a ter tendências à traição, uma mulher com modos e maneiras diferentes das demais para a época, mas nada comprova a traição.  Capitu é descrita até por José Dias como  uma mulher de olhos de cigana oblíqua, evasiva, com capacidade a sair de qualquer situação comprometedora.

            A economia da época é retratada no fato dos "agregados", personagens que moram na casa de Dona Glória, fato comum à época. Muitas pessoas , parentes ou não, viviam como agregados à uma família, trocando favores, algumas vezes. Os costumes de época também são mostrados durante o desenrolar da obra, assim como os modos de expressão, caracterizados na "linguagem machadiana". Bentinho tenta persuadir o leitor a crer em sua ideia de adultério, no filho Ezequiel ele enxerga o amigo Escobar, como uma tentativa de comprovar sua tese.


Resumo  - Dom Casmurro
Por Júlio Vallim

Dom Casmurro (1899) - Machado de Assis
Bentinho, chamado de Dom Casmurro por um rapaz de seu bairro, decide atar as duas pontas de sua vida. Morando com sua mãe ( D. Glória, viúva ), José Dias (o agregado), Tio Cosme e a prima Justina, Bentinho possuía uma vizinha que conviveu como "irmã-namorada" dele , Capitolina - a Capitu . Seu projeto de vida era claro, sua mãe havia feito uma promessa, em que Bentinho iria para um seminário e tornar-se-ia um padre. Cumprindo a promessa Bentinho vai para o seminário, mas sempre desejando sair, pois se tornando padre não poderia casar com Capitu. José Dias, que sempre foi contra ao namoro dos dois, é quem consegue retirar Bentinho do seminário, convencendo D. Glória que o jovem deveria ir estudar no exterior. Quando retorna dos estudos, Bentinho consegue casar com Capitu e desde os tempos de seminário havia fundamentado amizade com Escobar que agora estava casado e sempre foi o amigo íntimo do casal. Nasce o filho de Capitu, Ezequiel. Escobar, o amigo íntimo, falece e durante o seu velório Bentinho ele percebe que o seu filho era a cara de Escobar. Embora confiasse no amigo, que era casado e tinha até filha, o desespero de Bentinho é imenso. Vão para Europa e Bentinho depois de um tempo volta para o Brasil. Capitu escreve-lhe cartas.Pouco tempo depois, Ezequiel também morre, mas a única coisa que não morre no romance é BENTINHO E SUA DÚVIDA.